sexta-feira, 30 de abril de 2021

Homem No Quarto

< Foto Por: 809499 />
< Registro: 23, categoria: Aconteceu Comigo />

Quando eu tinha 18 anos, estava dormindo na casa dos meus pais. Acordei de madrugada assustada e quando abri os olhos, vi um homem de uns dois metros de altura, mais ou menos, com um casaco bem comprido com as golas levantadas e com um chapéu, levantando da minha cama (parecia que ele me olhava dormir) e indo pra janela. Meu Deus, quando vi aquilo, cobri meus olhos e comecei a rezar e pensar: "Vou gritar! Não! Ninguém vai ouvir porque a minha porta tá fechada, meu irmão tem sono pesado e meus pais não vão ouvir porque o quarto é longe! E outra, esse homem vai ouvir e olhar pra mim!"

Tirei o cobertor do olho e vi o homem ainda lá. Cobri os olhos novamente, tirei e o tiozão ainda lá! Não saía! Estava em pânico com o corpo paralisado de medo. Ele ficava olhando pra fora da janela, não sei porquê. De repente ele virou, olhou pro meu guarda-roupas, pra porta, deu um passo (eu escutava até o barulho da roupa dele, sabe quando a roupa faz aquele, xiiixxx com o atrito?) olhou pra janela e sumiu! Mas ele ficou lá uns 15 minutos, eu acho, porque foi muito tempo.

Precisava sair do meu quarto de qualquer jeito, mas tinha medo de ver o tal homem de novo. Pra minha salvação, meu irmão saiu do quarto dele depois de um tempão, acho que pra ir ao banheiro, foi quando falei:

— Dhyego.

E ele abriu a porta e falou:

— Que que é menina, não dormiu não??

Eu disse que estava com medo e que queria dormir com meus pais. Ele riu e perguntou o porquê.
Falei:

— Eu vi um homeeeemmm aqui!

Nossa, ele deu um soco no interruptor e falou:

— Que????? Lá fora né?

Eu respondi que não e que tinha sido na janela. Nossa mãe! Todo mundo acordou, meu pai saiu no quintal pra ver tudo (macho meu pai heheeh) e não achou nada.

Então, só sei que quase morri de medo e aos 18 anos fui dormir com meus pais chorando como uma criança. Agora eu dou até risada, mas na hora.

< por: Karine />

< Postagem original publicada em 17/09/2011 ás 12h12 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />
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sábado, 24 de abril de 2021

Cancela Assombrada

< Foto Por: Argus398 />


< Registro: 22, categoria: Aconteceu Comigo />

Essa também aconteceu no sitio onde meu pai morava...
Lá diziam que havia uma cancela (Uma espécie de porta feita de madeira) que ficava no meio da estrada e diziam que era assombrado depois das seis horas. E todo mundo evitava passar por lá depois daquele horário.

Certa vez meu tio tinha ido até a casa da namorada dele, e na empolgação, acabou escurecendo e quando ele percebeu já passavam das seis horas. Então, se apressou em ir embora, e já com receio porque pra poder ir pra casa precisaria passar na tal cancela assombrada.

Lá foi ele a galope, pela estradinha de terra, somente iluminada pela lua, rezando pra que, quando chegasse na cancela, ela estivesse aberta pra ele não precisar descer e ir lá abrir. Só que quando chegou, ela estava fechada, e o cavalo ficou com as orelhas em pé, assustado com alguma coisa que meu tio não conseguia ver.

Ele com muito medo desceu, foi até a cancela, abriu ela rapidamente, pegou nas rédeas e puxou o cavalo. Nem perdeu tempo em fechá-la, deixou aberta mesmo. Subiu rapidamente no cavalo e quando ele já estava mandando o cavalo correr dali, aconteceu o que ele temia.

Ele ouviu um tapa, na traseira do cavalo, seguindo por um grito agudo. O cavalo saiu correndo louco na estrada. Ele enrolou as mãos nas rédeas do cavalo e se agarrou ao pescoço do mesmo, pra não cair. Sentiu alguém pegando ele pela cintura, com força, se agarrando a ele, e o cavalo baixando a traseira com se tivesse levando alguma coisa muito pesada. Então o cavalo entrou pela caatinga, e os galhos rasgaram ele todo. Mas o cavalo conseguiu chegar na casa dele. Ele chegou lá quase inconsciente, com as roupas rasgadas pelos galhos secos, e todo cortado também. O cavalo muito assustado, meu tio desmaiou e só no outro dia contou o acontecido a meu avô, que falou que ali ficava o coisa ruim (um demônio, ou um espirito mal pra eles no sítio).

< por: Nilton César />

< Postagem original publicada em 17/09/2011 ás 12h09 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />
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sexta-feira, 23 de abril de 2021

Carona Fantasma

< Foto Por: Pexels />


< Registro: 21, categoria: Aconteceu Comigo />

Essa história aconteceu com o meu pai. Nós morávamos em Taiwan, eu era pequenina e meu pai trabalhava de taxista noturno. E em uma noite comum, um cliente o parou vestindo apenas uma sunga. Meu pai tinha no porta malas uma pequena bolsa com algumas peças de roupas que a minha mãe separava para ele, e como naquela noite estava um pouco frio, meu pai deixou algumas roupas com ele.

O homem pediu para que meu pai o deixasse do outro lado da cidade, e assim o fez meu pai. Durante a viagem, não houve nada de incomum, apenas conversaram pelo caminho, e o homem dizia não se lembrar o que havia acontecido com ele e como fora parar lá.

Chegando no local, meu pai parou num beco escuro, o homem pediu para que meu pai esperasse que ele iria pegar o dinheiro e entregá-lo.

Meu pai esperou por horas e nada do homem aparecer. Até que ele decidiu ir atrás e ver o que estava acontecendo, quando ele passou pelo beco, um cachorro começou a latir para ele sem parar, meu pai achou estranho por que o cachorro não latiu para o homem quando passou por ali, e chegando por onde o homem havia entrado meu pai viu que o lugar era um Clube de Piscinas, e na entrada havia um aviso.
O clube estava fechado por que havia acontecido um acidente no local, um homem havia se afogado.

< por: Sendy />

< Postagem original publicada em 17/09/2011 ás 12h08 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />
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sábado, 17 de abril de 2021

Mistérios da Mata

< Foto Por: Free-Photos />


< Registro: 20, categoria: Aconteceu Comigo />

Meu pai e os irmãos dele, costumavam caçar tatu quando eram adolescentes (coisa do interior, na época não tinham televisão.. ;) ), então eles saíam de madrugada e levavam a cachorrinha de caça deles (esqueci o nome da cachorra.... vou chamá-la, aqui, de Baleia). Era uma cachorrinha muito esperta e sempre que encontrava um Tatu ou um Peba acuava, com seus latidos, o bicho dentro de sua toca.

Certo dia, eles saíram de madrugada, meu pai, e mais dois irmãos dele (meu pai com 17 anos, e os irmãos dele um com 16 e o outro com 15 anos), e lá no meio do mato, quando eles já haviam caminhado um bocado, a cachorrinha saiu correndo na frente. Então depois de algum tempo, eles ouviam bem distante o latido da cachorra, que ecoava no silêncio daquela madrugada.

Eles correram em direção ao latido, com esperanças de que a cachorra tivesse encontrado alguma caça. Mas quando chegaram lá, se deparam com a cachorra latindo, no pé de uma árvore, olhando pra cima, e eles tentando enxergar o motivo pelo qual ela latia.

Foi quando eles ouviram o som de folhas sendo pisoteadas, como se várias pessoas se aproximassem deles. A cachorrinha saiu correndo, e então o som das folhas pisadas, vinha de todos os lados e meu pai e meus tios, com medo do que poderia ser, se juntaram e se abaixaram. Foi quando, começaram a atirar pedras neles, mas muitas pedras mesmo e o som das folhas foi substituído por um som de Matracas, era um som horrível, e eles não conseguiam ver ninguém. Isso durou cerca de 5 minutos, quando parou de repente e o silêncio tomou conta do lugar. Até ser interrompido pelo som da cachorra apanhando, bem distante, e eles muito assustados continuaram parados no mesmo local, só ouvindo. Ficaram ali até o dia amanhecer. Depois disso eles nunca mais inventaram de caçar a noite.

< por: Nilton César />

< Postagem original publicada em 17/09/2011 ás 12h06 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />
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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Cond. Residencial Vale das Rosas (Nova Friburgo/RJ)

< Foto Por: TheDigitalArtist /> 


< Registro: 19, categoria: Aconteceu Comigo />

O que vou relatar foi um acontecido com um tio meu, em meados de 1993. Meu tio é uma pessoa muito extrovertida, de bem com a vida e tudo mais. Ele tem por volta de 40 anos de idade, é homossexual, cabelereiro, etc, etc, etc...
Eu tinha mais ou menos uns 14 anos, quando ele sofreu um acidente de carro numa encruzilhada perto do Sob Boate (Conego). Ele ficou uns tempos na casa da minha avó para se cuidar. Ele quase teve que amputar a perna, pois o acidente foi feio, teve que colocar pinos e tudo. Com isso tive chance de conversar com ele e saber algumas coisas que estavam se passando na vida dele. Ele me dizia que não conseguia parar de beber, que entrava dentro do apartamento dele no Vale das Rosas e sentia uma vontade incondicional de beber cachaça!!!

Com isso ele estava louco pra sair do apartamento, pois era ele chegar dentro de casa que vinha a vontade de beber, entretanto sua casa ainda estava em construção e ele não podia sair de lá até acabar a obra.

Ele ficou na casa da minha avó por uns 3 a 4 meses, até que sua casa ficou pronta. Ele ia se mudar do apartamento onde morava, tendo que fazer sua mudança o mais rápido possível, para não ter que pagar mais um mês de aluguel sem necessidade. Eu me propus a ajudar a fazer a mudança.

Fomos eu, minha mãe, minha avó, e um amigo dele ao apartamento para empacotar tudo, para no dia seguinte colocarmos tudo dentro de um caminhão de mudança. Assim começou todo esse episódio, que eu nunca mais esqueci!!

Bem, fomos pra casa dele de manhã, eram umas 9 horas da manhã, assim que chegamos começamos a arrumar as coisas, minha mãe fez um macarrão, almoçamos lá mesmo, até aí tudo bem.

Quando foi depois do almoço, que já estava praticamente a metade das coisas empacotadas, começamos a sentir um cheiro meio fraco de velas. No decorrer da tarde o cheiro foi ficando mais forte e o clima que parecia ser legal entre todos ali, foi ficando mais pesado e desconfortável.
Ele (meu tio) tinha um altar dentro do apartamento, esses altarzinhos pequenos com algumas imagens de santos (vocês sabem né). Então, minha avó começou a desmontar o altar pra empacotá-lo também. Nisso ela pegou umas duas guias e colocou no pescoço, dizendo que tinha achado as guias bonitas (guias são aqueles cordões com pedrinhas coloridas usadas nos centros espíritas), e continuou a empacotar todo o resto. A essa hora o cheiro de vela já estava quase insuportável.
Bem o pior estava por vir!!!

Quando minha mãe (que já foi médium, frequentadora de centro, tal como minha avó) foi até o quarto do meu tio terminar de arrumar suas roupas. Ela chegou no quarto (disse ela), e viu uma pessoa negra encolhida no canto do quarto e as velas em torno de todas as paredes acesas, um homem alto forte com um chapéu preto em pé ao lado do negro abaixado, e uma mulher loira do outro lado da cama. Depois disso ela desmaiou e quem viu ela desmaiando fui eu, comecei a gritar e chamar pela minha avó, desesperado, arrastei ela até a sala. Nisso, minha avó estava batendo e jogando água na cara dela pra ela acordar. De repente, ela acordou com os olhos todos brancos (sem essa bola preta), com uma força sinistra, empurrou o cara amigo do meu tio na parede e começou a ir pra cima da minha avó dizendo com uma voz muito grossa, não era a voz dela:

— Não adianta ele sair daqui, pra onde ele for eu vou atrás dele.

Eu já estava completamente em choque, no meio daquela situação, eu estava imóvel e pálido!!!
Foi quando o cara que estava lá com a gente pulou em cima da minha mãe, jogou ela no chão e a segurou. Ela continuava dizendo:

—Eu ainda mato aquela bicha.

Minha avó segurou nas guias que ela tinha pego no altar com toda força e começou ali mesmo a aclamar pelo nome de Jesus, dizendo que o que quer que estivesse no corpo da minha mãe que saísse, e que ele não tinha poder pra fazer mal nenhum a quem quer que fosse. Daí a coisa que estava nela falava:

— Vocês já viram o que eu fiz com aquela bicha, já quebrei a perna dela, agora vou levar a vida.

Minha avó num súbito de raiva, começou a bater (com força) na cara da minha mãe, dizendo:

— Vai embora, vai embora, sai daqui em nome de Deus.

Foram uns 4 tapas bem fortes, nisso minha mãe desmaiou de novo. Voltamos a jogar água no seu rosto para ela acordar. Quando ela acordou, pegamos rápido nossas coisas e fomos embora largando tudo como estava.

Quando chegamos na portaria do prédio, eu olhei para a janela do apartamento do meu tio, chamei todos para olhar e vimos uma mulher loira e um homem com chapéu preto de braços cruzados e rindo.

Conclusão do caso:
No outro dia o caminhão de mudança foi lá, terminaram de empacotar as coisas dele e fizeram a mudança numa boa, sem acontecer nada.

Mas meu tio...hoje está com aids!!!

< por: Adriano />

< Postagem original publicada em 17/09/2011 ás 12h02 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />

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sábado, 10 de abril de 2021

A Amiga Da Vovó

< Foto Por: brenkee />


< Registro: 18, categoria: Aconteceu Comigo />

Teve uma vez que uma amigona da minha avó veio a falecer de câncer na época e ela havia sofrido muito!! Algum tempo depois rolou a festa de ano novo que sempre tinha lá em casa, essa seria a primeira sem essa amiga da minha avó lá!!!

Então veio um monte de parentes que já estavam a um tempão sem ir lá em casa. Foi ai que um tio meu, estava conversando com a minha avó e minha mãe e elas contaram da morte da amiga.... ai o meu tio ficou muito espantado e disse:

— Ô Jacy mas como, se eu acabei de ver ela parada na porta da sua casa??? Até falei com ela.

Eu lembro que depois disso a minha mãe começou a passar mal pois ela tem o "corpo aberto" para esse tipo de coisas e começou a falar como se não fosse mais ela e, sim, a Nilsa essa amiga da minha avó, falecida naquele mesmo ano!!! Lembro bem disso e todos depois tentaram amenizar mais ficou tão explicito que nem teve como!!!

< por: Marcos />

< Postagem original publicada em 17/09/2011 ás 11h59 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />
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sexta-feira, 9 de abril de 2021

As Três Covas Abertas

< Foto Por: geralt />


< Registro: 17, categoria: Aconteceu Comigo />

Como muitos de vocês sabem minha família veio de Sto. Antônio de Pádua. Minha avó, uma sueca belíssima, havia ficado viúva de meu avô, que era médico e morreu precocemente aos 43 anos de idade.
Minha avó veio para o Rio de Janeiro, por volta de 1950, com 10 filhos, com idade entre 17 a mais velha e 6 anos, que era a minha mãe. Vovó contava muitas estórias da fazenda em Pádua, onde meu avô quase nunca estava, visto que era metido em política e era o único medico das cidades circuvizinhas, tais como Itaperuna, São Fidelis e Miracena, região norte do Rio de Janeiro. Contava sobre as noites de lua cheia onde os cavalos da fazenda ficavam enlouquecidos, relinchando, galopando em volta da casa grande, desesperados, sendo montados por coisas-ruins.
Os cães latiam sem parar, naquelas noites de horror. Não sabia-se, ao certo, o que acontecia lá fora. Vovó juntava os filhos todos à volta dela, se ajoelhavam e oravam a Deus pedindo proteção. Alguns dos meus tios menores se escondiam debaixo da cama, e fechavam os olhos, de tanto medo. Só abriam quando tudo acalmava. A casa grande, assim como a maioria absoluta, era de telhas, e os tijolos não eram muito bem cimentados, em muitos locais haviam buracos onde passava luz. Ouviam algo correndo por cima das telhas, afundando, quase quebrando num barulho ensurdecedor.
Pelas frestas da casa viam-se sombras passando, correndo, um rugido infernal. Vovó era cristã e criou todos os filhos tementes a Deus, mas tb acreditava, assim como todos da roça, em criaturas sobrenaturais, como curupira, saci, mula sem cabeça.
Os cavalos voltavam pela manhã, exaustos da corrida, com a crina tão trançada que minha mãe contava que precisavam de muitos dias até as tranças se desfazerem todas. Para os olhos e ouvidos dos meus tios, ainda crianças, devia ser mesmo aterrorizante.

Quando a família veio para a capital do RJ, estabeleceram-se num local, que naquela época, era uma fazenda enorme, praticamente desocupada, em Bonsucesso, onde atualmente é o Complexo do Alemão.
Meus tios e minha mãe cresceram, achando-se livres daquelas noites de Pádua. Acharam que o haviam deixado para trás , que o problema estava na cidade natal.
Ledo engano.
Acabaram descobrindo que não era a cidade. Era a família, inclusive a nova geração, onde me incluo, que atraía esses eventos sobrenaturais e inexplicáveis.
A casa da vovó era uma delicia. Pobre, de telhado, banheiro do lado de fora. Mas havia muito amor. Fomos criados todos juntos, primos e primas, como irmãos. Eu era uma criança especial para a minha avó. A preferida dela. Talvez por não ter tido pai, minha avó me amou e me protegeu mais que a todos os outros netos, e eles eram muitos. Fui criada por essa figura forte e enérgica, que comandava a família com mãos de ferro, e ao mesmo, tempo tão doce e amorosa.
Conforme eu ia crescendo entendia porque vovó era tão procurada e respeitada pelas pessoas. A via pondo as mãos nas pessoas doentes, em crianças, velhos e ficavam curados. Usava azeite nas feridas e abençoava. Eu não entendia muito bem, era muito pequena ainda, só muito mais tarde compreendi que minha avó tinha o dom da cura. E ela tb "via" coisas, mas isso era segredo. Esse tipo de assunto era proibido ser falado perto das crianças. mas eu era curiosa e inteligente. Sabia que minha avó era especial. Só não sabia que seus dons eram partilhados comigo.

A casa da vovó era pequena em comparação ao terreno. Ficava (até hoje esta casa existe) no alto de uma rocha, próximo a um pequeno riacho. Era térrea e apenas um quarto.
Em cada cômodo havia janelas de madeira, tipo veneziana, cujo trinco era daquele que girando um pedaço de metal entrava num buraco feito no parapeito mesmo. O telhado era feito de telhas de barro e algumas eram transparentes, que eram comumente usadas para passar claridade.
Aquela casa era meu lar.
Um dia estava eu brincando sozinha na sala, vovó devia estar no quintal (terreiro como ela falava) lavando roupa. Do nada me levantei e subi na janela da sala, que dava pra um corredor que era fechado pela parede da casa do meu tio.
Qual não foi a minha surpresa, olhei para baixo, não existia a casa do meu tio. Havia uma descida, um caminho de terra, que descia até o fim da casa.
Eu devia ser mesmo muito palerma, porque não me dei conta que aquilo não existia e nem chamei por ninguém. Apenas fiquei olhando aquele novo pedaço da casa.
Ao observar bem, vi três montinhos de terra, como se tivessem enterrado pessoas. Eram realmente três túmulos. Eu estranhei, mas não sei por que continuava a olhar.
Foi quando vi um daqueles monte de terra se mexer. E uma mulher levantou-se de dentro da terra.
A mulher levantou-se, vagarosamente... Suas roupas estavam cobertas de pó, rasgadas, seus cabelos desgrenhados. Esta mulher não havia me visto, estava na estrada abaixo da casa.
Ela pôs-se de pé, de costas para onde eu estava. Não sei se falou alguma coisa mas a terra em cima dos outros dois túmulos também se moveram e mais duas mulheres, semelhantes a primeira, saíram de dentro deles.
As três nada falaram. Ficaram um tempo paradas. O estranho é que tudo era devagar. Como em câmera lenta. E daquela maneira lenta se viraram todas as três ao mesmo tempo para onde eu estava, me encararam com aqueles olhos mortos mas maliciosos e começaram a subir, arrastando-se na estrada, em direção a janela onde eu estava, ainda, observando.
De repente, parece que acordei. Sabia que elas queriam entrar na casa da vovó. Aflita, corri na porta e vi minha avó ao longe, no portão com alguém. Também sabia, não sei como, que enquanto a minha avó não voltasse eu não tinha que lutar com aquelas criaturas mortas-vivas, apenas tinha que impedir a entrada delas na casa. Só ela podia resolver aquilo. Era isso que martelava na minha cabeça. Fechar tudo, impedir a entrada até vovó chegar. Só ela podia resolver aquilo.
Comecei a fechar tudo. A porta da frente, as janelas dos quartos, a porta da cozinha, e de vez em quando olhava pela janela da sala para ver se elas já estavam chegando. Era um frenesi, um afobamento, e cada vez que olhava pela janela e elas se aproximavam cada vez mais, bem devagar. Fui ao quarto da minha avó fechar a janela e quando voltei para a sala já podia ver as cabeças daquelas coisas. Corri para a janela da sala e tentei fechar o lado esquerdo primeiro, quando a cabeça de uma delas impediu. Abri um pouco mais e empurrei a cabeça pra longe e fechei ao mesmo tempo puxei o lado direito. Foi quando aquela primeira mulher que se levantou da cova me olhou zangada e segurou no meu braço.

Uma dor cortante me invadiu. Aquela mão tinha tanta força!!! Puxei o braço varias vezes até finalmente me soltar e fechei a janela totalmente. O tempo todo ficava esperando minha avó voltar e pensava, sem parar: "Só tenho que mante-las fora da casa. Até minha avó chegar. Só ela pode resolver isso".
Engraçado é que a casa da vovó parecia ser muito maior e ter mais quartos e janelas e portas a serem fechadas. Eu continuava fechando tudo sem parar. E parecia que as três mortas-vivas estavam a um passo de entrar na casa, quando eu conseguia trancar tudo, no ultimo segundo.
Foi quando lembrei de fechar uma porta (que não existia na casa) que ficava entre a sala e a cozinha. Também era uma porta de madeira, com venezianas, onde se puxavam dois lados e o mesmo trinco de girar. Cheguei nesta porta e puxei os dois lados. Quando girei o trinco, olhei pelas venezianas e vi os pés das criaturas já dentro da cozinha!!!! Ainda olhando pelas frestas das venezianas vi desistirem de entrar por ali e as vi se arrastando para fora da casa na tentativa de entrar por outro lugar que não estivesse trancado.
Foi quando duas mãos me seguraram por trás. Gritei apavorada e desmaiei.

Quando dei por mim, estava na cama com a minha avó ao meu lado. Segurando nas minhas mãos e orando..
Ela me passava azeite (diz-se unção) pelo corpo todo, principalmente na testa.
Ela falava alto, numa língua desconhecida, só entendia algumas palavras em português no meio das frases.
Na mesma hora me senti segura e não sabia explicar o que havia visto. Eu estava tão confusa que nem perguntei a ela o que tinha acontecido comigo.
Quando ela terminou as suas orações, me deixou na cama dela, com velas acesas e um lampião pendurado no teto (naquela época não existia luz elétrica na casa) e saiu.
Ouvi minha avó varrendo a casa, ainda falando naquela língua estranha e quis olhar. Engatinhei em cima da cama e olhei pela porta. O chão da casa toda estava coberto de terra!!!!
Ela varria a terra para fora de casa e a cada varrida ela repetia uma frase que soava mais ou menos assim:
Ghadata aletera parsin!!! Ghadata aletera parsin!!!
Moeratera quateroyzare vateletri!!! Moeratera quateroyzare vateletri!!!
Nem me perguntem o que significava mas era um ritual de limpeza. Já era noite feita e meus tios começaram a chegar do trabalho quando viram minha avó fazendo aquilo, nada disseram. Apenas me olharam e menearam a cabeça. A partir daí os cuidados aumentaram comigo. Nunca ficava sozinha. Sempre tinha um tio ou primo mais velho comigo.
Nunca soube o que foi aquilo e minha avó nunca disse nada. Nem minha mãe falou uma palavra sobre isso. Eu ficava perdida sem saber o que pensar mas graças a Deus, criança esquece de certas coisas.
Só lembrei disto depois que minha avó morreu.
De vez em quando eu sonho com ela e continuo sentindo, quando estou com ela, a mesma segurança que sentia quando ela estava viva.

< por: Adriana />

< Postagem original publicada em 18/04/2011 ás 12h30 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />
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