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Inhaúma tem esse nome por causa de um pássaro preto, então, muito comum, chamado de Inhuma (Anhima cornuta). Uma ave preta com um chifre pontiagudo sobre a cabeça. Foi povoado por jesuítas, índios e escravos. Até pouco tempo atrás ainda se via, no local onde se chama Fazenda e Fazendinha (esses mesmos!! Os dos bailes funks e tiroteios), casarões do tempo dos escravos ainda com as correntes e troncos.
Bem, morando a vida toda num bairro assim ouvi e vivi muitas histórias arrepiantes. Também o que tinha de bêbados, não era de estranhar as coisas que viam (ou diziam ver). Enterros surgindo e desaparecendo do nada também, na madrugada, seguidos de pessoas de preto, levando velas. Aquela mulher, vestida como antigamente, que pegava um taxi e pedia para parar no portão do cemitério, atravessava o portão e desaparecia na escuridão (sim, também tínhamos uma!!!!), uivos madrugada toda, casas assombradas, era um shopping do terror!!!
O cemitério era visto de quase todas as casas (antes do bairro ser dividido ao meio pelo Metrô), habitados pela maioria dos funcionários da antiga fábrica de tecidos Nova América, que hoje é um shopping.
Quando era menina cansamos de subir uma rua onde dava pra um lugar conhecido por Manguezal onde víamos o cemitério até o fim. E como era movimentado á noite!!! Luzes, pessoas andando, vultos, macumba comendo, era uma festa. Na época não tinha medo, achava um barato aquelas coisas. Ríamos muito daquilo tudo, das pessoas que passavam e faziam o sinal da cruz, por respeito e medo.
Até um dia que parei de achar engraçado, quando, nossa turma quase morreu ao entrar numa casa abandonada, e entre brincadeiras vimos a coisa mais terrível para uma criança: uma família inteira degolada, pai, mãe, um rapazinho e crianças, não me lembro bem, duas ou três (tem um que disse que era um moça em vez do rapazinho). Era sangue pra todo lado, aquele fedor de podre e de morte e ouvimos passos de alguém que emanava maldade chegando perto de nós.
Era o assassino. Nunca corri tanto na vida.
Jonas, meu melhor amigo até hoje, não me deixou lá, pegou na minha mão e não olhamos pra trás. Descemos a rua correndo mais que podíamos, completamente às escuras (não havia iluminação publica no trecho do Manguezal), chegamos pálidos e suando frio na casa dele.
O Jonas estava pior que eu. Eu achei que tínhamos visto um assassinato, ele achava que tinha visto fantasmas. A avó dele cuidou de nós, nos deu água. Eu só chorava e o Jonas estava em choque.
Até um dia que parei de achar engraçado, quando, nossa turma quase morreu ao entrar numa casa abandonada, e entre brincadeiras vimos a coisa mais terrível para uma criança: uma família inteira degolada, pai, mãe, um rapazinho e crianças, não me lembro bem, duas ou três (tem um que disse que era um moça em vez do rapazinho). Era sangue pra todo lado, aquele fedor de podre e de morte e ouvimos passos de alguém que emanava maldade chegando perto de nós.
Era o assassino. Nunca corri tanto na vida.
Jonas, meu melhor amigo até hoje, não me deixou lá, pegou na minha mão e não olhamos pra trás. Descemos a rua correndo mais que podíamos, completamente às escuras (não havia iluminação publica no trecho do Manguezal), chegamos pálidos e suando frio na casa dele.
O Jonas estava pior que eu. Eu achei que tínhamos visto um assassinato, ele achava que tinha visto fantasmas. A avó dele cuidou de nós, nos deu água. Eu só chorava e o Jonas estava em choque.
Até que lembramos dos outros que estavam conosco. Quem disse que tivemos coragem de sair de novo? Telefone só tinha quem era rico e pra falar com alguém íamos a pé ou de bicicleta. Foi quando o pai do Jonas chegou. Contamos a ele, que não entendeu do que dissemos e finalmente ele foi checar nossa história porque a casa estava abandonada há anos e nem a mãe dele lembrava bem quem foi a ultima pessoa que morou lá.
Antes, passou na casa da Lilian e do Willian que também estava com a gente (eram irmãos), verificou que estavam histéricos mas bem e, foi na casa do Márcio, que morava na mesma rua que eu. Ele não estava em casa, a mãe dele, D. Luisa, o encontrou debaixo da cama, todo urinado e chorando.
Antes, passou na casa da Lilian e do Willian que também estava com a gente (eram irmãos), verificou que estavam histéricos mas bem e, foi na casa do Márcio, que morava na mesma rua que eu. Ele não estava em casa, a mãe dele, D. Luisa, o encontrou debaixo da cama, todo urinado e chorando.
A esta altura o pai do Jonas, que também se chama Jonas, chamou mais homens, o pai do Márcio e o tio da Lilian e do Willian. Se houve um crime ele não ia sozinho lá. Sei que reviraram a casa de cabeça pra baixo e, a essa altura, o ocorrido já estava fervendo nas ruas pacatas do bairro e uma pequena multidão estava do lado de fora aguardando o desfecho. Já deviam ser um pouco mais de 22 horas porque o plantão da tarde da fábrica havia acabado e os funcionários estavam chegando em grupos. Foi um auê.
Não encontraram nada. Nem uma gotinha de sangue. Nem família, nem crianças, nada. Só lixo e folhas secas. Pior foi acharem que tínhamos mentido. Juramos que não, vimos quase a mesma coisa, só o Marcio que jura até hoje que não viu nada, só ouviu os passos e sentiu uma maldade no ar e, lógico, nossos gritos e correria. O Jonas eu vejo todos os meses, ele é padrinho da minha filha. De vez em quando, quero falar sobre isso e ele leva as mãos aos ouvidos e tampa. Não quer comentar sobre isso de jeito nenhum. A Lilian e o Willian só vi mais algumas vezes mas nunca falamos.
Algum tempo se passou. A vida voltou a normalidade. De vez em quando ouvíamos nossas mães contarem casos estranhos, objetos que desapareciam, pessoas estranhas andando pela madrugada na rua, gritos e gargalhadas ecoando, coisas assim. Não era tão estranho assim, porque onde morávamos, particularmente, as ruas se cruzavam, formando as famosas encruzilhadas, que todo macumbeiro, feiticeiro, bruxos sei lá como se chamam, gostam de baixar trabalhos. Pior era a sensação, a opressão que sentíamos. Como se algo muito ruim fosse acontecer.
< por: Adriana />
< Postagem original publicada em 18/01/2011 ás 23h38 no Aposentado Blog Histórias Sobrenaturais />

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